Passeata pelo fim da exploração sexual infantil ocorreu nesta sexta em Tangará


Na manhã desta sexta-feira (18), mais uma atividade alusiva à edição deste ano da campanha ‘Faça Bonito’ foi realizada. Uma passeata que partiu da praça da antiga prefeitura até a Praça da Bíblia, na Avenida Brasil, contou com a participação de estudantes, comunidade acadêmica, participantes de projetos, agentes da Secretaria Municipal de Assistência Social e autoridades. Os canteiros da via foram todos decorados com girassóis, que simbolizam a campanha.
O prefeito Fábio Junqueira (MDB) falou sobre a importância da campanha e recordou o fato que instituiu o dia 18 de maio como dia nacional de combate ao abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes. Aos 8 anos, a menina Araceli Cabrera Crespo foi raptada, entorpecida, estuprada, morta e carbonizada no estado do Espírito Santo. O desaparecimento da menina completa 45 anos nesta sexta (18) e o caso não teve punição e o processo foi arquivado na justiça.
“Essa campanha tem uma conotação que alcança até o âmbito internacional, porque o problema é do planeta. Em todos os países há problemas dessa ordem e no Brasil nós temos aí justamente o combate exatamente no 18 de maio, por conta da motivação. Ocorreu um fato ainda na década de 70 que marcou a sociedade brasileira pela falta inclusive de visão em um caso de violência, que acabou sendo um símbolo de combate à violência contra nossas crianças e adolescentes”, explica Junqueira.
O secretário de assistência social, Agnaldo Garrido, afirmou que pouco mais de 250 pessoas foram atendidos pelo Cras e Creas no município no ano passado em Tangará, por casos relacionados a violência sexual contra crianças ou adolescentes.
“Hoje é 18 de maio, um dia nacional reconhecido pela ONU. A gente faz ações o ano todo, mas dia 18 é comum nós paralisarmos a maioria das escolas, discutirmos o assunto e também fazer o enfrentamento. Venho dizendo que Tangará, apesar de ser uma terra pujante, uma terra organizada, solidária, mas estamos com um índice altíssimo de abuso e exploração de crianças e adolescentes. O Creas em 2017 atendeu praticamente 267 pessoas e nós estamos com o indicativo ainda de pais, padrastos, principalmente os familiares”, disse Garrido, ao reforçar que Tangará da Serra tem fornecido acolhimento às vítimas de pedofilia.
“A questão do enfrentamento à pedofilia é exatamente isso, essa violência sexual silenciosa, muitas vezes sorrateira. A pedofilia não tem margem, você não consegue conhecer o sujeito, ele é ardiloso, ele é sigiloso e ontem nós vimos aí nacionalmente vários grupos sendo presos e as pessoas tem que denunciar. Nós temos o disque 100, estamos entregando material orientativo, panfletos, o símbolo do Girassol que significa Araceli para a sociedade colaborar porque nós precisamos abaixar esses indicadores e erradicar abuso sexual contra crianças. As pessoas tem que saber que Tangará da Serra tem feito o enfrentamento, continua fazendo, e o poder público tem esse compromisso”, ressaltou.
Helena Matias Simões Junqueira, 1ª Dama do Município destacou o quanto é fundamental denunciar os atos, para que os autores dos crimes sejam punidos.
“Hoje é um dia que marca e nós estamos aqui junto da população, dos estudantes, da sociedade civil organizada para estarmos nesse enfrentamento à violência contra a criança e ao adolescente. Cada um faz a sua parte, a parte da denúncia é muito importante, o disque 100 é o número das denúncias e nós não podemos ficar calados. Temos que denunciar, é um pedido que eu faço. Se a pessoa sente, se ela vê alguma coisa, tem que fazer. A parte da denúncia é muito importante, então, vale a pena parar por esse dia”, frisou.
Na opinião de Fábio Junqueira, os problemas que a pedofilia pode causar acabam sendo passados de geração em geração.
“A violência, principalmente o abuso e a exploração sexual, tem um efeito multiplicativo. Se ocorre o abuso com uma criança, a tendência é que isso se reproduza no futuro. Além de trazer uma vida infeliz para aquela pessoa que foi abusada, ainda existem dados científicos de estudos, de casos em que se registra que isso tende a ser cíclico. Porque aquele que foi abusado, além de uma vida infeliz, se não tiver tratamento e atenção, pode se tornar multiplicador dessa situação lá no futuro quando adulto. Esse tipo de violência e abuso é geracional”, argumentou o prefeito, ao justificar que a impunidade não pode prevalecer.
“Nós temos que quebrar esse ciclo com demonstração de afetividade, de amor, demonstrar que a criança tem que ser tratada com respeito e ao mesmo tempo combater a impunidade, para que haja punição para aquele que abusa, para que sirva de exemplo e tenha um efeito pedagógico para nossa sociedade, para que se coíba esse tipo de atitude. Em Tangará, a gente trabalha durante o mês de maio essa questão, buscando resultados mais práticos, efetivos, para que a gente tenha uma juventude melhor, gerações melhores e que a gente quebre esse ciclo de violência”, concluiu.
A programação da campanha segue ao longo de todo o mês de maio.

Radio Pioneira














Nenhum comentário