Emanuel diz que secretaria ignorou procedimento e culpa Estado

O prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) responsabilizou o Governo do Estado pela invasão de criminosos à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Morada do Ouro, em Cuiabá, para resgatar um preso que estava aguardando atendimento médico.

Na ocasião, os criminosos trocaram tiros com os agentes penitenciários e cinco pessoas ficaram feridas. Apesar da ação dos comparsas, o bandido José Edmilson Bezerra Filho não foi resgatado. O caso ocorreu na tarde de terça-feira (13). 
  
“A segurança pública é responsabilidade do Estado. Existe um procedimento, o Manual de Procedimento Operacional Padrão, para deslocamentos de reeducandos. Esse procedimento - que vai desde o comunicado à unidade de saúde com uma vistoria antecipada, até o apoio  da Polícia Militar para garantir a chegada do reeducando na unidade - é de responsabilidade do Estado através da Secretaria de Justiça e Direto Humanos. A Secretaria Municipal de Saúde não foi avisada, a unidade não foi avisada, não houve vistoria antecipada e o reeducando chegou ao local sem apoio da PM”, afirmou Emanuel, que classificou o episódio como "tragédia anunciada".

“Não é jogar pedras. Somos parceiros do Governo do Estado em várias ações, em várias oportunidades. Mas nós temos que colocar os pingos nos is e separar o joio do trigo”, completou.

Emanuel disse que a responsabilidade da Prefeitura no caso foi cumprida com o atendimento rápido das vítimas.

Ficaram feridos o agente prisional Dirley de Pinho Pedro, de 34 anos, com dois tiros na perna; a enfermeira Rosemeire Sousa da Silva, de 51, com um disparo na perna; o bebê V.H.C.M., com perfuração nas costas e mão; Estefani Camargo Santos, 22, que é mãe da criança e recebeu um tiro no braço esquerdo, e Dayane da Silva Romão, 33, atingida no tórax. 

“O que coube a Prefeitura Municipal de Cuiabá já foi feito que foi o pronto-atendimento das pessoas feridas. O agente, a enfermeira e a mãe da criança estão bem. Agora de corpo e alma cabe a Prefeitura de Cuiabá tentar salvar a vida do bebê e da mulher que ainda continuam internados”, afirmou.

Emanuel relatou que, apesar da segurança pública não ser responsabilidade do Município, vai mandar instalar câmeras de monitoramento nas unidades de saúde da Capital para ajudar nessas situações. Ele frisa que a medida não irá resolver, mas minimiza a criminalidade. 

Membro de facção

José Filho, que é membro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e tem passagens por assalto, tráfico de drogas e homicídio, alegou fortes dores nas costas. Por conta do feriado de Carnaval, não havia médicos na unidade. Os agentes então fizeram o deslocamento dele até a UPA. Lá foi avaliado e, em seguida, liberado.

A condução do preso será investigada pela Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh). 

Em nota, a Sejudh informou que, quando um preso tem problemas de saúde durante feriados e finais de semana, ele precisa ser conduzido obrigatoriamente pelos agentes penitenciários a uma unidade de saúde. Segundo a secretaria, o procedimento está previsto no Código de Execuções Penais, bem com a presença de três agentes armados durante a condução, o que foi feito.

O caso também será investigado pela Polícia Civil. A  Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp) informou que equipes de segurança tanto da Polícia Civil quanto da Militar foram reforçadas durante a busca dos criminosos que tentaram o resgate do preso.

O caso

Segundo João Batista Pereira, presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Mato Grosso, uma equipe do SOE (Serviço de Operações Especiais) do Sistema Prisional estava chegando com o preso para o atendimento, quando foi cercada por dois veículos.

Neste momento, os ocupantes dos dois carros desceram com armas pesadas, dando início a uma troca de tiros.

Midia News

Nenhum comentário